• Daiane Fernandes

Sobre criatividade, foco e notificações

Atualizado: 9 de set. de 2021

Por que desativar todas as notificações do meu smartphone aumentou a minha qualidade de vida (e de jobs).


Que tal tentar desativar todas as suas notificações por uma semana e ver o resultado?

Indo totalmente contra a maré da era mais conectada que já vivemos, eu resolvi tomar essa atitude que, para muitos, pode parecer loucura. Estava eu, um belo dia, verificando minhas notificações do Instagram, quando parei para pensar que aquela deveria ser a terceira vez que estava fazendo essa ação antes das nove da manhã.


Foi quando percebi que estava condicionada a acender meu smartphone, às vezes por mero vício, às vezes porque realmente queria fazer algo nele. Mas também porque sempre estavam ali elas, as notificações.


E quando você vê uma notificação, a não ser que consiga ignorá-la, acaba acessando essa informação e assim vai perdendo minutos preciosos do dia com conteúdos que nem precisavam ser vistos naquele momento.


Eu não estava controlando o meu tempo. As notificações estavam. Porque elas têm o poder de tirar totalmente a minha atenção do que quer que eu esteja fazendo para vê-las. Basta o smartphone vibrar. Pronto, preciso ver o que é. Quantas vezes largamos tudo o que estamos fazendo para verificar notificações?


É no almoço, no lanche da tarde, na mesa de trabalho, no café da manhã.

É uma maravilha estarmos tão conectados. Não me entenda mal, não estou sugerindo que você demore para responder as pessoas. Estou falando sobre gerenciamento de tempo.


Quando uma notificação de app te faz parar, ela determina o seu tempo. Quando você decide quando quer ver informações de um app, você controla o que faz com o seu tempo.


“Ah, mas aí eu não vou lembrar”. Na verdade, a gente fica condicionado mesmo. Quando desabilitei as notificações do Facebook, WhatsApp, LinkedIn, Instagram, Twitter, Cartola FC, Pokemon Go, Telegram, Messenger, iFood (caramba, eu recebia notificações de tudo isso todos os dias, sem contar os apps de notícias que não citei), não foi fácil.


Porque eu realmente passei a esquecer de olhar esses apps todos. E me senti altamente tentada a reativar os pushs.


Mas eu fui forte, que nem quando resolvi parar de usar açúcar no café. E assim como não sei mais beber café com açúcar, eu não quero mesmo mais saber de notificações (tá, eu sinto uma saudadezinha dos pushs do iFood, que são maravilhosos).


Isso porque eu não paro mais a cada 20 ou 30 minutos durante o meu dia pra ver o que estão me empurrando (afinal são pushs, né?). Mas se desativar todas as notificações for demais pra você, reduzir pela metade ou ir eliminando aos poucos já ajuda.


E claro, se você tem algum app de trabalho essencial, como Basecamp ou Discord, mantê-los habilitados no horário de trabalho pode ser importante. A grande sacada é perceber que você pode administrar melhor quais apps realmente precisam chamar a sua atenção.

Não eliminei o smartphone da minha vida, apenas mostrei que ele não é prioridade.

O smartphone continua ali do meu ladinho, só que agora eu escolho quando ocupar o meu tempo com ele. E aí eu foco totalmente quando vou escrever meus textos, criar campanhas, ler livros, assistir filmes, seriados, prestar atenção nos amigos etc.


Quando eu termino as minhas tarefas ou sobra um tempo entre uma coisa e outra, é nesse momento que eu mexo no meu smartphone. Isso tem me deixado mais leve e notei que tenho inclusive tido mais ideias.


Porque se afastar do smartphone faz a gente olhar para o ambiente e buscar referências em outros lugares. A gente para de ficar olhando pra baixo. Olha em volta, para as pessoas, pode observar outras coisas além do que aparece na telinha, e pode deixar as nossas ideias fluírem.


O que está diretamente ligado à criatividade. A preparação e, ainda mais, a incubação e a iluminação, assuntos que eu trato no meu e-book, que são etapas do processo criativo, só chegam quando a gente tem foco.


Muita gente inclusive confunde criatividade com uma bagunça de ideias e, ok, é legal fazer brainstormings na fase de preparação, mas a bagunça de ideias precisa ter foco dentro de uma linha de raciocínio que é atrapalhada quando você permite que informações totalmente desconexas ao que você está trabalhando entrem na mente.


Quanto tempo do seu dia é dedicado ao smartphone?

Três horas. Essa é a média do número de horas que os brasileiros usaram o smartphone por dia em 2018. O que nos coloca em 5º lugar no ranking global de tempo dedicado ao aparelho, atrás apenas de Indonésia, Tailândia, China e Coreia do Sul, segundo informações do relatório Estado de Serviços Móveis, elaborado pela consultoria especializada em dados sobre aplicativos para dispositivos móveis App Annie, considerado um dos mais completos do mundo.


Para além do foco, um estudo publicado pelo Kaspersky Lab mostrou que 79% dos brasileiros usam o smartphone para evitar conversas com outras pessoas, além de identificar que 37% dos usuários não sabem se distrair sem o aparelho por perto.


Para 91% dos entrevistados, o smartphone é uma forma de passar o tempo. 95% das pessoas que conversaram com a pesquisa admitiram que se distraem do seu foco principal quando o utilizam.


Isso sem contar os diagnósticos de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais confirmados por pesquisas como a da Universidade Süleyman Demirel, na Turquia, que relacionou essas doenças em jovens diretamente ao uso excessivo de smartphones.


Acessamos o smartphone em torno de 150 vezes por dia. Levando em conta que uma pessoa durma sete horas, isso significa um acesso a cada 7 minutos. É muita coisa, né?


O que o uso excessivo do smartphone pode estar trazendo para você?

O smartphone tira a nossa atenção. E vai além. Estudos mostram que a atenção também é perdida quando a gente não usa ele. Isso mesmo. Uma pesquisa publicada por Adrian Ward, da Universidade do Texas, realizada com mais de 500 estudantes em 2017, indicou que mesmo no silencioso, com a tela virada para baixo, sem notificações e sem toques, a simples presença do smartphone tirou a capacidade de concentração dos estudantes.


Exige atenção não prestar atenção. Então, também fica mais uma dica: quando puder, fique longe do smartphone. Vá almoçar sem ele, pegue um cineminha sem ele, faça uma caminhada sem ele. Entre numa reunião sem ele.


Desconectar um pouco do seu amado aparelhinho te faz ter mais contato com outras pessoas, dizer bom dia na fila do banco, resolver assuntos olho no olho ao invés de por mensagens complexas e ambíguas de WhatsApp e ter foco em uma coisa de cada vez. Experimenta. Depois me conta.


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